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Beyoncé

Renaissance

Columbia Records · 2022

9.2★ Best New Music

Por Pedro ·

Beyoncé não faz discos — ela faz eventos. Mas Renaissance é diferente de tudo que veio antes: é um álbum que existe para ser dançado antes de ser analisado, para ser sentido no corpo antes de ser compreendido pela cabeça.

Uma Linha do Tempo da Euforia

Durante 62 minutos, Renaissance conduz o ouvinte por uma linha do tempo não-linear da música negra de pista: house de Chicago, funk carioca, ballroom de Nova York, disco dos anos 70, R&B dos anos 90. A costura é impecável — cada transição parece inevitável, cada referência é homenagem, nunca pastiche.

"BREAK MY SOUL" chegou primeiro e estabeleceu o tom: uma declaração de independência emocional construída sobre uma sample de "Show Me Love" de Robin S. que soa tanto como ancestralidade quanto como manifesto. "CUFF IT" é o ponto de inflexão do disco: a faixa onde o prazer deixa de ser aspiracional e vira presença física.

Produção Como Arquitetura

Os créditos de produção são um quem é quem do underground e do mainstream coexistindo em rara harmonia: Honey Dijon, Skrillex, Raphael Saadiq, Nile Rodgers. Cada parceiro traz um pedaço do mapa, mas Beyoncé é a cartógrafa.

A mixagem de Stuart White merece menção própria — os baixos são estruturais, os hi-hats são cirúrgicos, e o vocal de Beyoncé existe dentro de cada faixa com a mesma precisão de um instrumento orquestral.

Mais Que um Álbum de Dança

Renaissance não é escapismo — é exatamente o oposto. É um disco sobre alegria como ato político, sobre a pista de dança como espaço de resistência, sobre a black culture queer que inventou os sons que o mundo inteiro copia. Beyoncé credita esse débito explicitamente, e isso é raro e necessário.

Um dos grandes discos de pop do século XXI.

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