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Radiohead

OK Computer

Parlophone · 1997

10.0★ Best New Music

Por Pedro ·

Há álbuns que chegam como registros de um tempo. E há álbuns que chegam como avisos. OK Computer pertence à segunda categoria — e a tragédia é que ninguém prestou atenção a tempo.

Um Pesadelo Feito de Guitarras e Silício

Gravado entre 1996 e 1997 em uma mansão no interior da Inglaterra, o terceiro álbum do Radiohead abriu um portal para uma ansiedade que ainda não tinha nome. Thom Yorke cantava sobre robôs, sobre estradas, sobre a fragmentação da consciência em bits e pixels — décadas antes de qualquer um de nós saber o que era scroll infinito ou fadiga de notificações.

A produção de Jonny Greenwood e Nigel Godrich é ao mesmo tempo clínica e quente: guitarras que distorcem como sinais de rádio corrompidos, cordas que emergem das batidas eletrônicas como memórias involuntárias. "Airbag" abre o disco com a leveza de quem sobreviveu a um acidente e ainda não processou o trauma. "Paranoid Android" é uma suite em três movimentos que muda de humor com a lógica de um sonho ruim.

A Voz do Desconforto

Yorke nunca soou mais humano do que quando soou mais desesperançado. Em "No Surprises", a canção mais cruel do disco embrulhada na melodia mais gentil, ele canta sobre querer um trabalho quieto, uma casa quieta, uma morte quieta — e a faixa soa como uma canção de ninar para uma geração que aprendeu a chamar resignação de estabilidade.

"Exit Music (For a Film)" foi escrita para o fim de Romeu e Julieta de Baz Luhrmann, mas ficou grande demais para caber na tela. É uma das músicas mais devastadoras já gravadas: começa com Yorke sozinho, uma viola, e termina com tudo se rasgando.

Por Que Ainda Importa

OK Computer não envelheceu — ele amadureceu. Cada ano que passa, suas previsões ficam mais acuradas e seu peso mais difícil de carregar. É um documento da condição humana numa era que ainda estava aprendendo a se chamar de digital.

Nota máxima. Não existe outra opção.

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